Tam. do Texto: A A A
Contraste: A A

Ricardo Viana Vargas, MSc, IPMA-B, PMP | Macrosolutions

Artigos

Bookmark and Share
Subscribe

Construindo Previsões de Custo Final do Projeto Utilizando Análise de Valor Agregado e Simulação de Monte Carlo

Avalie:
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars 6 voto(s)
Loading ... Loading ...
0 Comentários

Publicações

AACE – Association for Advancement of Cost Engineering 48th Annual Meeting Washington – DC – USA – 2004
Revista Brasileira de Gerenciamento de Projetos Curitiba – PR – Brazil, 2004

Download

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar uma proposta de interligação entre modelos e simulações probabilísticas de projeto como possíveis formas de determinar o EAC (Custo final) através da análise de valor agregado. O artigo mostra que a utilização dos três modelos principais de projeção (índice constante, CPI e SCI) como a base de uma distribuição probabilistica triangular que, através da simulação de Monte Carlo permitirá determinar a probalilidade quanto ao cumprimento de orçamentos e custos de projeto.

ANÁLISE DE VALOR AGREGADO

Valor Agregado tem foco na relação entre os custos reais incorridos e o trabalho realizado no projeto dentro de um determinado período de tempo. O foco está no desempenho obtido em comparação com o que foi gasto para obtê-lo (FLEMING & KOPPELMAN, 1999a). Valor Agregado é a avaliação entre o que foi obtido em relação ao que foi realmente gasto e ao que se planejava gastar, propondo-se que o valor a ser agregado inicialmente por uma atividade é o valor orçado para ela. Na medida em que cada atividade ou tarefa de um projeto é realizada, o valor inicialmente orçado para a atividade passa, agora, a constituir o Valor Agregado do projeto. De modo a formalizar os conceitos citados com base na norma ANSI/EIA 748 da American National Standards Institute, uma terminologia específica foi criada, com base nos dados de custo previsto, real e valor agregado.

OS TRÊS ELEMENTOS DA ANÁLISE DE VALOR AGREGADO

figura_1

Figura 1 – Sistema de planejamento e monitoramento de desempenho segundo conceitos de Valor Agregado (ABBA, 1998).

Um projeto que será controlado através da Análise de Valor Agregado precisa ser planejado através de princípios básicos gerenciais aplicáveis a qualquer tipo de projeto. Primeiramente, o trabalho a ser realizado é definido. Em um segundo momento, os cronogramas e os orçamentos são desenvolvidos. A medição e a avaliação dos resultados do Valor Agregado são, então, determinadas e comparadas com os valores planejados. Do mesmo modo, o PMI (2000) apresenta, em seu processo de planejamento (0), um detalhamento dos processos de planejamento segundo os mesmos passos citados por ABBA (1998), e a definição do escopo do projeto (Scope Definition – 5.3) é pré-requisito para o desenvolvimento do cronograma (Schedule Development – 6.4), para a alocação dos recursos (Resource Planning – 7.1) e para a orçamentação (Cost Budgeting – 7.3). A partir da conclusão desses processos, o plano do projeto é desenvolvido (Project Plan Development – 4.1).
figura_2

Figura 2 – Processos de Planejamento (PMI, 2000).

BCWS (Budget cost of work scheduled) é o valor que indica a parcela do orçamento que deveria ser gasta, considerando-se o custo de linha da base da atividade, atribuição ou recurso. O BCWS é calculado como os custos de linha de base divididos em fases e acumulados até a data de status, ou data atual. É o custo proveniente do orçamento. Durante a execução, o monitoramento do progresso do projeto é realizado através da comparação entre os resultados reais obtidos e o previsto pelo projeto no BCWS. Nesse momento são avaliados o Valor Agregado do trabalho (BCWP) e a apropriação dos custos reais incorridos (ACWP). BCWP (Budget cost of work performed) é o valor que indica a parcela do orçamento que deveria ser gasta, considerando-se o trabalho realizado até o momento e o custo de linha de base para a atividade, atribuição ou recurso. O BCWP também é denominado Valor Agregado. A forma de medição do Valor Agregado, ou BCWP, tem relação direta com a forma como o projeto foi planejado. Sem um sistema de planejamento adequado, a medição de desempenho tem pouca ou nenhuma aplicabilidade. HARROFF (2000) e FLEMING & KOPPELMAN (1999) subdividem a medição do Valor Agregado (BCWP) em diferentes métodos: 1. Marcos com valores ponderados: A célula de controle é convertida em dois ou mais marcos onde cada um deles é definido por uma entrega parcial do trabalho, gerando, conseqüentemente, um custo específico. A soma dos custos de atingimento de cada um desses marcos é o custo do item. 2. Fórmula fixa por CAP: É o método que divide o CAP em duas partes que, somadas, completam os 100% do trabalho. Usualmente, as fórmulas mais utilizadas são 25/75, 50/50 e 75/25. A fórmula 25/75 separa o trabalho em dois pontos: o primeiro ponto é atingido imediatamente com o início do CAP (25% dos custos já são contabilizados); os outros 75% dos custos somente são contabilizados quando o trabalho finaliza. A fórmula 50/50 indica que 50% dos custos serão contabilizados com o início do trabalho e 50% com o seu término. 3. Percentual-Completo: Método que atribui a cada elemento um determinado percentual completo (entre 0 e 100%) a cada ciclo de controle. Esse percentual é multiplicado pelo custo previsto com o objetivo de determinar a parcela do orçamento já realizada. 4. Unidades equivalentes: Método que calcula o Valor Agregado com base em unidades produzidas ou realizadas de elementos individuais de custos, empregado em trabalhos repetitivos ou onde os elementos são definidos em termos de consumo direto de recursos. É senso comum em todos os relatos sobre Valor Agregado que não existe um método único capaz de atender a todos os tipos de trabalho. Na maioria das vezes, a empresa deve permitir a utilização de mais de um mecanismo de cálculo de Valor Agregado. Devido à popularidade e à facilidade de uso, optou-se neste artigo pela utilização do % completo como forma de determinação do Valor Agregado (BCWP). O percentual completo apresenta crescente utilização nos projetos devido à facilidade de utilização e é o mecanismo-padrão de entrada de valores agregados na maioria dos softwares de gerenciamento de projetos. Porém, o grande obstáculo na sua utilização é o elevado grau de subjetividade em sua avaliação, sendo influenciado diretamente pela percepção do avaliador. Uma vez que a entrada de dados é fruto de uma percepção individual, o método do percentual completo é sujeito a maiores pressões pelo cliente ou pela alta gerência, podendo comprometer os resultados apurados. Para se minimizarem tais desvios, algumas empresas têm estabelecido procedimentos internos de avaliação do percentual completo. A experiência com projetos utilizando Valor Agregado conduz a um maior acerto nas estimativas. Os custos reais (ACWP) são medidos e avaliados pela equipe do projeto responsável por contas a pagar e receber ou pela área financeira da própria empresa, reportando o gasto real do projeto até a data de referência (status) dentro de um plano de contas especificado e definido pela controladoria da organização. ACWP (Actual cost of work performed) mostra os custos reais decorrentes do trabalho já realizado por um recurso ou atividade, até a data de status, ou data atual do projeto, provenientes dos dados financeiros. Uma vez determinados esses três parâmetros, a análise dos resultados é obtida com base na correlação entre os valores encontrados para cada um deles em uma determinada data de status.
figura_3

Figura 3 – Exemplo gráfico do BCWS, BCWP e ACWP ao longo do tempo para um determinado projeto.

RESSALVA

A Macrosolutions reserva-se o direito de excluir qualquer comentário com conteúdo ofensivo, pejorativo, promocional ou que esteja fora do contexto. Leia a ressalva completa.

Deixe seu comentário ( * itens obrigatórios )

  • Data 14 de abril de 2009
  • Autor Ricardo Vargas
  • Popularidade 2216 visualizações

Popular Tags

Conteúdo relacionado